Home / Games / Artigos de Games / Final Fantasy X: Minha experiência com o jogo

Final Fantasy X: Minha experiência com o jogo

“Listen to my story, this may be our last chance.’’ (Tidus: Final Fantasy X)

Final Fantasy X: Minha experiência

Todo mundo já ouviu falar de Final Fantasy X e da icônica citação de Tidus. E como sabemos, seu lançamento foi em 2001.

Criou-se muita expectativa acerca deste novo título da SquareSoft (que ainda não havia se fundido à Enix), pois se tratava do primeiro Final Fantasy para a nova geração dos games, mais uma exclusividade da Sony, desta vez para o PlayStation 2. E também, era um game que viria após grandes lançamentos da franquia como FFVII, FFVIII e FFIX.

A produção de Final Fantasy X se deu início em 1999, juntamente com outro título da franquia, o dito Final Fantasy IX que tinha lançamento planejado para o queridinho dos consoles da época, o primeiríssimo PlayStation.

O décimo jogo almejava revolucionar, e essa inovação consistia na adição de vozes aos personagens, ações e a transição para a história em tempo real, bem como a utilização do 3D que traria às personagens mais expressão facial e cenários ricos em detalhes. O sistema de batalhas também sofreria alterações em relação aos seus antecessores e o responsável pelo feito, Toshiro Tsuchida, optou por retirar o sistema de ATB (Active Time Battle) da saga que se iniciou lá em 1991 e incrementou um novo formato de batalhas, conhecido como CTB (ou Condicional Turn-Based Battle/Count Time Battle).

Segundo o produtor Hironobu Sakaguchi, era uma ideia arriscada, porém, uma inovação com êxito resultava em sucesso.

O roteiro ficou por conta de Kazushige Nojima, sua intenção era desenvolver uma ponte entre o jogador e o protagonista, de maneira natural. Sendo assim, a cada progresso de sua narrativa, o jogador compreendia os fatos na mesma profundidade do herói. A trilha sonora, por sua vez, ficou encarregada de três grandes compositores: Nobuo Uematsu, Masashi Hamauzu e Junya Nakano.

Agora que vimos um breve resumo de sua produção, fica aqui a minha visão sobre Final Fantasy X.

Apesar de toda a ansiedade, só tive oportunidade de sentir sua jogabilidade alguns anos após seu lançamento. Encantada com aquele gráfico e personagens carismáticos, em 2004, mais especificamente em 8 de março daquele ano, fui presenteada com um PS2 e dois jogos de meu agrado  —  minha família sempre recebeu uma listinha de presentes para esta data  —, entre eles estava lá, Final Fantasy X.

Passei meu aniversário toda alegre e saltitante jogando aquela obra prima que conhecia pouco, mas já tava tão cativada que para mim era como a Nona Sinfonia de Beethoven. Eu só tinha 13 anos e RPG não era meu forte naqueles tempos. Sempre fui fã de videogame, mas nunca me considerei “a boazuda” e jogar comigo é resumido em: ou você se estressa ou dará muitas risadas. Me saía melhor em corrida e tiro, porrada e bomba. Bem, bomba nem tanto, às vezes me esquecia de usá-las. Enfim…

Conforme ia avançando naquele mundo que sofria ataques com ondas gigantescas vindas de uma ameaça chamada Sin, inimigos mais poderosos surgiam na jornada. E eu passando alguns perrengues em batalhas que não deveriam ser tão preocupantes. Tolinha que sou, até então pensava que tivesse entendido o sistema de Sphere Grid  —  odiava, e, até aprender como funcionava… Isso levou algum tempo. E hoje eu entendo o por que tanto odiava —, tadinha de mim, só pensava. Eu tinha entendido era NADA de Sphere Grid, fui distribuindo esferas nas fichas de meus personagens sem saber o que estava fazendo. Acredite. E fiz uma burrada tão grande que encostei em Thunder Plains e fiquei.

Spoiler: Fiquei presa naquele maldito lugar por 15 anos! RISOS RISOS RISOS

Final Fantasy X: Minha experiência
Final Fantasy X: Minha experiência

Depois de ter percebido a minha falta de inteligência, me bateu o desânimo de recomeçar e tentar outra vez. Desisti de Final Fantasy X e deixei ali, guardadinho numa caixinha especial dentro do meu coração. Vi o CD de trilha sonora para vender na Liberdade, são 4 discos, e pasme, estava custando apenas R$ 100,00. Me arrependo até hoje que não comprei, pois além de compensar por este valor, era uma OST que eu estava amando.

A vida seguiu, aprendi a jogar decentemente os role playing games com Final Fantasy IV e VIII, meus chuchus da franquia. Mas não era a garotinha dos meus olhos, ou aquele que queria e não podia ter: aqueleeee FFX.

Em 2013, surtei quando tivemos sua versão remasterizada para as plataformas da Sony, PS3 e PS4. As edições de colecionador me encheram os olhos, mas com o bolso vazio, fiquei foi só com as imagens no Google mesmo. Inclusive, meu primo viajaria para os EUA a trabalho e eu até pensei em pedir para me trazer uma edição limitada  —  gosto de cometer loucuras quando se trata de algo importante pra minha felicidade, mas acabei desistindo. Entre razões e emoções, a saída foi ver que eu era pobre hahahahaha!

O tempo foi passando, fui comprando outros jogos e então, ano passado, um bom amigo me solta: tô vendendo meus jogos de mídia física. Se quiser algum, me fala, te faço um preço bacana.

Peguei o jogo dos meus sonhos, Final Fantasy X — ou pesadelo, interprete como quiser — da pré adolescência e o FFXV, — acho que gosto de sofrer.

Pois bem. Sem nada pra fazer, em novembro tomei a coragem que me faltou durante alguns anos e recomecei Final Fantasy X, em high definition remasterizado. Oh glória!

Ah sim! Tive a ajuda de um amigo pra me explicar como funcionava a Sphere Grid, já que estou velha e mal lembro o que comi no dia anterior. E desta vez entendi como funcionava, precisou debutar, meu Deus!

Revi cenas que já tinha feito minha alegria 15 anos atrás, outras nem lembrava mais e parecia que estava vivendo aquilo tudo pela primeira vez.

Estava indo bem, minha party estava bem equipada, os pontos adquiridos e spheres de level up bem distribuídos para todos e eu feito doida fazendo lutas para manter esse nível. Traumatizada, o nome.

Meu inglês também melhorou bastante daquele tempo pra cá, e a cada avanço, ficava chocada com as revelações. Foi então que cheguei em Thunder Plains. Era meu momento, minha revanche. Fiz a primeira luta, venci sem dificuldade. Fiz a segunda, terceira… me estressei com aquele ***** do Cactuar, mas coisa pequena. E quando me dei conta, já tinha passado aquela fase ruim dos meus 13 anos de idade.

Meu foco era fazer tudo direitinho. Entenda: eu não podia errar. Não podia falhar novamente e a cada cidade que adentrava, um novo slot de save era criado. Tamanho o medo desta que vos escreve!

Final Fantasy X: Minha experiência
Final Fantasy X: Minha experiência

O primeiro momento que pra mim foi totalmente inédito e memorável neste jogo (dentro de tantos outros), foi quando enfrentei lord Seymour pela primeira vez. Batalhei com tranquilidade, e ao seu fim, revelador.

O enredo de Final Fantasy X te traz os baques de novela.

Eu me senti naquele fundo esverdeado de Avenida Brasil quando o jogo me revelou o maior plot twist. Até então eu imaginava ter rolado algo x com o protagonista, no entanto foi y. E digo mais, a experiência de ter ficado 15 anos sem saber do maior spoiler desse jogo valeu a pena.

Minha relação com os personagens foi crescendo, mas devo dizer que antigamente eu amava cegamente o Tidus e a Yuna. Mas agora de adulta, sentia um pouco de vergonha alheia do casal no meu second round. Tidus era um bocó, mas conforme a narrativa desenrola, o protagonista vai amadurecendo. O jeito bobão passa a aparecer nas horas certas, enquanto quem vem tomando forma é um Tidus responsável, protetor e companheiro.

A Yuna é uma criança. Carregando um peso enorme nas costas, forçada a amadurecer antes de seu tempo, ela precisava de momentos de descontração, rir das palhaçadas e ser jovem, agir como tal. E por isso casou tão bem sua relação com o herói da história. Era o único que a tratou como deveria, — todos a respeitavam demais, claro — mas como uma pessoa de sua idade, que vivia num mundo de adultos e era obrigada a isso por causa de seu comprometimento como uma summoner. Contudo, em determinado ponto, a summoner deixa nossa party e nunca senti tanto sua falta, healers fazem a diferença. Sem contar que se jogarmos os caminhos da Sphere Grid de Yuna com Black Magic, seu ataque fica maravilhoso. Ou podemos usar spheres especiais para adquirir uma magia de ataque, fica a seu critério o que fazer a seguir na Grid.

Final Fantasy X: Minha experiência

Auron é a voz da razão, misterioso e sério. É a cabeça do grupo e o mais forte. É o personagem favorito dentre o grupo, segundo fãs, tanto por sua personalidade como por seu design — todos foram elaborados por Tetsuya Nomura. Foi o mentor de Yuna durante a jornada, compartilhando seus sábios conselhos. Sem contar que mesmo que tenha sido relatado brevemente seus dias na peregrinação do High Summoner Braska, eu faria muito bom gosto de jogar um spin off dele com o pai da Yuna e Jecht.

E antes que eu me esqueça, Auron é o cara!

Wakka começa legal, um grande amigo pro Tidus. Mas turrão em suas crenças. A “perseguição” dele para com os Al Bhed me tirou do sério, mas no fim, o jogador do Besaid Aurochs acaba aceitando que estava errado. Eu mesma já não aguentava mais as frescuras religiosas dele, mas perdoei.

A Lulu, de primeira impressão parece ser chata, mas ledo engano. É uma excelente personagem. Serena, astuta e sensata. É revelado que antes de se juntar a Yuna, era guardiã de outra summoner, onde leva consigo a dor de duas perdas, uma delas lhe fez carregar o sentimento de culpa por anos. A feiticeira é uma figura de irmã mais velha para Yuna, sendo um ombro amigo tanto da summoner como do ídolo do Zanarkand Abes.

Kimahri. Kimahri Ronso. Este talvez seja meu personagem favorito. Pouco amigável em sua aparição, — jurei que fosse mudo e que odiaria, uma atrocidade pensar isso desse anjo — progredimos junto dele, solta palavras curtas, um sorriso tímido e por fim, expressa seus sentimentos com belas ações. Kimahri vem de um vilarejo onde quando um oponente quebra seu chifre numa batalha, ele passa a ser visto como uma vergonha, pois ter o chifre quebrado entre a tribo Ronso significa que você é fraco.

Exilado de sua tribo, vagou até Bevelle e conheceu um homem à beira da morte que lhe fez um último pedido: encontre a filha de Braska. Cumprindo sua promessa ao homem moribundo, encontra a garotinha Yuna e a leva consigo, fugindo dos grandes Maesters da capital de Bevelle.

O homem com sua religião sempre causando problemas pelo mundo usando a fé como desculpa para se beneficiar. 

A milhas de distância, encontraram seu refúgio na ilha de Besaid. Lá se uniram à Lulu, Wakka e o finado Chappu, e foi onde Yuna decidiu seguir os passos de seu pai e estudar para sua peregrinação. Junto de Kimahri, estes foram os primeiros guardiões da jovem. E quando seus caminhos se cruzaram com o de Tidus, foi o que mais relutou a aceitar o estranho no grupo. Sentindo até mesmo um pouco de ciúmes do protagonista, mas com um motivo plausível.

Em dado momento, Kimahri peitou Seymour em defesa de sua protegida, encarou seus semelhantes em Mt Gagazet numa cena maravilhosa — minha favorita, acho que se deve muito à trilha sonora ao fundo —, lutou e sofreu. E permaneceu ao lado da criança que lhe pediu para ficar quando achou que fosse o momento de ir embora quando esta estava a salvo. De poucas palavras, este personagem demonstrou ser um dos mais “humanos”.

Final Fantasy X: Minha experiência

Rikku é a garota que está ali para animar, quando Tidus passa a amadurecer, contudo, a prima Al Bhed assume seu lugar. Suas habilidades ajudam bastante a party, sem contar as santas poções Al Bhed.

As batalhas finais são emocionantes, desde Yunaleska até Yu Yevon. E o sentimentalismo de Yuna quando esta decide por qual caminho seguir após tantas reviravoltas no enredo, torna o jogo cada vez melhor. As palavras ditas sobre cada um de seus guardiões, o carinho e a gratidão que ela tem por eles, é de partir nosso coração pois cada vez mais avançamos para a reta final de um jogo tão incrível. Por mais que ansiava concluir essa jornada, me entristecia estar próxima do fim.

Demorei anos para finalizar, mas creio que o fiz no momento certo. E finalmente posso dizer que tudo que sentia e esperava de Final Fantasy X condizia com a realidade.

É perfeito. Sua narrativa é tocante. O final é de chorar rios. E na minha opinião, julgo ser mais romântico que o próprio FFVIII que diziam ser uma história de amor, embora sabemos os motivos de ambos na questão afetiva.

A maneira da qual se encerrou foi tão poética que eu vejo como desnecessária a continuação em X-2, mas entendo sua existência. Escolhi não jogar, pelo menos não ainda, pois quero deixar ali intacta a experiência que tive jogando essa obra prima da SquareSoft.

E antes de terminar, jogue Final Fantasy X. Quantas vezes for necessário.

Espero que gostem do meu texto, lembrando que é uma opinião pessoal. E uma carta de amor ao game.

Paula Benedetti – Amante de quadrinhos, games, filmes de ação e aventura e animações. Co-Adm da Catwoman Brasil no Twitter e mãe de gatos.

Leia também: Os jogos mais tristes já feitos

Final Fantasy X: Minha experiência

Sobre Diego Tbt

O típico alucinado por JRPG’s e animes! Tem Final Fantasy como religião e vive em função de fazer as pessoas gostarem de coisas como One Piece, Fullmetal Alchemist e O Reino do amanhã. É estudante de história e possui uma enorme dificuldade em decidir sobre o que mais gosta, por isso tenta compartilhar de tudo um pouco no site e nas redes sociais.

Veja Também

Mortal Kombat

Mortal Kombat 3 – Ed Boon mostra os bastidores do clássico game

Ed Boon, criador da franquia Mortal Kombat, publicou em seu Twitter um vídeo que mostra …