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Excelsior! Nosso singelo adeus a Stan Lee

Stan Lee – “Eu costumava ficar envergonhado porque eu era apenas um escritor de quadrinhos enquanto outras pessoas construíam pontes ou iam para carreiras médicas. E depois comecei a entender: o entretenimento é uma das coisas mais importantes na vida das pessoas. Sem isso elas podem parar no fundo do poço. Eu sinto que se você é capaz de entreter as pessoas, você está fazendo algo de bom.”

É muito natural na história da humanidade que a arte seja uma ferramenta para quebrar preconceitos.
No renascentismo era natural o uso da arte como protesto ao moralismo e autoritarismo da religião, que por muito tempo restringiu em si tudo que era considerado belo, puro, correto e artístico. Configurou-se com isso uma das maiores revoluções da história, culminando no surgimento de nomes que são referências até os dias de hoje, como Da Vinci e Michelangelo.

Séculos depois, tivemos a popularização das “Comics” nos jornais, na maioria das vezes satirizando o cotidiano, a política e a cultura local. As portas foram abertas para a explosão dos super heróis e as Histórias em Quadrinhos.

Stan Lee

Stan Lee foi uma figura muito importante no que diz respeito à arte em tempos recentes. Dono de um potencial criativo poucas vezes visto, foi capaz de retratar em imagens os sentimentos dos jovens, questões sociais, preconceito e uma série de histórias que certamente estavam já eternizadas antes da sua morte.

Stan Lee criava heróis poderosos, mas com problemas de pessoas comuns.

Enquanto grandes heróis como Superman são quase deuses, intocáveis e tão longe do nosso alcance, o herói mais popular da Marvel é um jovem que precisa lidar com o heroísmo e as dívidas, a saúde da tia, trabalho e estudos. Nos aproximamos muito mais de personagens assim. É claro que estamos falando do Homem Aranha.

Stan Lee

Seus predicados portanto não param por aí… Stan Lee era um mestre em retratar nas suas histórias a sujeira e o preconceito da sociedade.
Negros e brancos viviam um dos períodos mais complicados da história americana quando as políticas de segregação começaram a sofrer uma fortíssima resistência pelos movimentos dos direitos civis. O racismo era tão latente que negros não podiam frequentar os mesmos ambientes que brancos, e quando podiam, tinham seus lugares marcados e distantes das pessoas brancas. Atentados, assassinatos e linchamentos em público eram comuns, pois o estado fomentava essa barbárie através de políticas segregacionistas.

Nesse contexto Stan Lee cria a história sobre um grupo que sofria o preconceito e a violência da sociedade.

Como uma metáfora ao racismo e preconceito que as minorias sofriam nos Estados Unidos, surgem os X-Men. Da forma mais genial possível, podemos ver a realidade sendo estampada nos quadrinhos, tanto nas práticas como nos personagens. Não é difícil enxergar as influências de Martin Luther King Jr(Professor Xavier) e Malcolm X(Magneto) nos líderes da classe mutante. Ambos com um forte senso de justiça, mas que diferem nos meios de alcançá-la.

Stan Lee

Falar sobre racismo, preconceito, guerra, drogas e problemas sociais em revistas lidas por um enorme público também infantil foi revolucionário.

Não faltam motivos para agradecer Stan Lee pelos serviços prestados. Contudo sua contribuição para o entretenimento é extremamente difícil de mensurar.

Suas criações são eternas e até hoje são uma fonte inesgotável de conteúdo. Sua mídia não se resume às HQ’s, mas extende-se ao videogame, cinema, livros, TV e o que mais você imaginar.

Um visionário, capaz de criar o primeiro super herói negro em meio ao caos da segregação, como um rei da nação mais poderosa e rica da Terra, situada não na América do Norte ou Europa, mas no coração da África. Um símbolo da resistência ao colonialismo e do orgulho de um povo. O Pantera Negra!

Stan Lee

Nós, amantes do entretenimento, não temos palavras que sejam capazes de alcançar o tamanho da nossa gratidão a Stan Lee. Despede-se de nós com um legado inigualável. Certamente sua criatividade só podia ser comparada à alegria em fazer seu trabalho.

Muito obrigado, Stan Lee. E descanse em paz.


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Sobre Diego Tibóto

O típico alucinado por JRPG’s e animes! Tem Final Fantasy como religião e vive em função de fazer as pessoas gostarem de coisas como One Piece, Fullmetal Alchemist e O Reino do amanhã. É estudante de história e possui uma enorme dificuldade em decidir sobre o que mais gosta, por isso tenta compartilhar de tudo um pouco no site e nas redes sociais.

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